Nothing safe feels real.

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Ao melhor amante que uma mulher pode ter – parte dois

Liquor

Então cá estamos mais uma vez, eu e ele, meu velho amigo. O único que permanece fiel em todos os momentos mesmo quando eu sou volúvel e traidora, mesmo com todas as minhas idas e vindas. Talvez porque ele saiba, que no fim sempre vou acabar voltando pra ele. Em farrapos, machucada, estressada, solitária e carente – mas voltando sempre. E ele, que não vamos mentir, tem lá seu quê de cafajeste, nunca me mandou embora quando eu pedi por companhia às três da manhã, numa tarde domingo, numa sexta-feira fria. Está sempre de braços abertos pra me receber, me descer rasgando a garganta sem dó, me colocar no colo e me fazer me sentir a mulher mais desejada do mundo – ou a mais amada, depende do dia. Entre nossas indas e vindas, vou dizer, que é o meu relacionamento mais duradouro e apesar de sem-vergonha, é um amor leal. Quando eu acho que eu não preciso mais dele, vem a vida me lembrar que as coisas não são bem assim e então estamos novamente num affair a 100 por hora. Eu já disse, que é ele que está sempre presente quando eu estou sozinha, que não me censura quando eu estou eufórica e boba, que me leva pra dançar sempre, me faz sentir a stripper mais requisitada do mundo inteiro em cima de um palco – e me come como ninguém. Continuo procurando as respostas pra todas as minhas dúvidas no fundo de um copo. E depois de tantos momentos juntos, é ele que vai embalar o sono essa noite, me fazer carinho e me dar tudo que eu quero, porque só ele entende o funcionamento confuso das minhas engrenagens por dentro. O álcool, eu sei, ele nunca vai embora. E é por isso que eu sempre volto pra ele.

Música do Dia

Se você é Pottermaníaco como eu, vai se lembrar bem da cena de Relíquias da Morte Parte 1 em que Harry e Hermione estão #xatiadus depois que o Rony decide se mandar e deixar os dois sozinhos. Enfim, está tudo uma grande meleca, tem gente morrendo o tempo todo, eles nem sabem o que vai acontecer amanhã e se vão sobreviver e por isso fazer uma coisa tão comum como dançar fica bem poético:

Acho essa cena tão lindinha, foi impossível não procurar pela música, que com certeza deu todo o elã. Depois de ouvir até o final, incorporei à lista das minhas preferidas. A voz do Nick Cave é sem par, incrível mesmo.

 

 

 

Eu estou virando um caramujo

Está tudo tão d  i     s     t       a         n             t                    e . . .
Os ecos estão esparsos
Não tenho tempo pra ouvir o que vem de fora
Não tenho olhos para os contornos da realidade
Estou me fechando como uma concha
Uma ostra
Porque eu tenho um monte de pérolas por dentro
Um universo inteiro
E eu sinto e vejo
Num estreito no qual meu coração se espreme
E dói da forma mais bonita
Tenho galáxias e fogos de artifícios explodindo no céu da boca
E meus olhos estão enxergando em
A
Q
U
A
R
E
L
A
Como se o mundo fosse um Boticelli
Os ecos grotescos
Não tenho mais tempo para ver, nem escutar
Não tenho mais vontade de adorar, nem de odiar
É só um espaço abafado
Estou afundando em mim para me afogar nos meus fluidos
Nos meus cantinhos
E eu não quero nada além
Da incrível maravilha de se existir
Como uma engrenagem que faz barulhinhos quando se move
Da incrível capacidade de transcender
Gênero, espaço, bagagem
E ser
Levitar
Adentrar
A profunda complexidade de um universo inteiro em expansão
Que se cria sozinho
Que é meu
(E tudo que está aqui fora
É só o que os meus tentáculos estrelados
Alcançam para degustar)
Por dentro do meu universo negro
Minhas galáxias, meus buracos negros
Meus meteoros e minhas supernovas
Eu posso sentir e projetar
Como um raio laser
Varrendo o mundo
De dentro pra fora
Uma ostra
Cheia de pérolas
Uma ostra
Guardando o universo inteiro
Vou me trancar em mim
Sem remorsos
E ficar pertinho das minhas pecinhas

Eu estou realmente
Cada vez mais próxima
Da existência
h.e.r.m.é.t.i.c.a

Aside

 

Novembro – 2011

 

Chega.
Eu quero sair da casca
Já não tenho mais tempo, nem idade, nem vontade
Pra esses medos
Eu quero colocar na cara uma mulher formada
Chega. Não vou mais me esconder atrás de uma máscara estúpida
Quero mostrar tudo que eu quero, que eu desejo e tenho medo
Porque não cabe medo para alguém que já sente tanta dor
Porque não faz mais sentido essa fantasia de menina ingênua
Eu quero, daqui pra frente
Expor toda a minha torridez
Eu acho que (finalmente) estou cansando de ser criança
Porque ser adulta é mais do que ser uma moça-bem-resolvida-dona-de-si-que-paga-os-impostos-e-administra-a-própria-vida
É existir de uma outra maneira
Eu quero sair dessa fantasia de garotinha intocada
Eu quero parar com o faz-de-conta de ser de todo mundo

E sentir
De dentro pra fora
Eu vou desabrochar
Porque tudo isso é muito pouco (não me serve)
Porque não quero me aproximar de ninguém para reproduzir receitas prontas
Cansei de brincar de casinha
O que eu quero é que todos os meus anos me coloquem numa plataforma
Para eu alcançar outro patamar
Onde todos são o que eu espero de qualquer pessoa completa (e nunca encontrei nenhuma)
E eu vou estar de pé, batom vermelho, nariz em pé, plena.